quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Criticismo x Realismo

Bom dia, meus ávidos (3) leitores!
Espero que tenham sentido um pouco de falta dos textos daqui. Sabem como é, esse autor que vos fala? é um tremendo de um vagabundo imprestável (talvez ele seja tudo aquilo que critica - se bem que, pensando melhor, não gosto de sertanejo) e por isso não tem atualizado o blog com frequência. Aliás, não consigo escrever bem sobre coisas que não me interessem muito, e ultimamente a internet está tão recheada de coisas tediosas que não me veio nada à cabeça. Ah, e também troquei de PC, e escrever parece tão menos divertido do que jogar...

Enfim, após a essa nota de desculpas, o que temos para hoje é um tema que já foi muito discutido. Na verdade, algumas pessoas que leem esse blog (viu, leitor? Não se sinta sozinho!) me criticaram - veja só, algo meio quis custodiet ipsos custodes - por fugir da realidade em minhas críticas. O que eles reclamam, e eu concordo completamente, é que a grande maioria dos críticos não procura o suficiente sobre o assunto que eles criticam. Eles repetem informações mastigadas, coisas que eles "ouviram falar", e dão como opinião pessoal. Por isso, ser um hater está em hype. É muito fácil criticar o que já foi criticado, mas não por isso dá menos ibope (olá, Felipe Neto).

Bem! Então, para fugir das críticas, fiz o que todos os críticos fazem: Procurei algo para falar mal. Fui extremamente exigente, li coisas que pessoalmente não gosto, observei as pessoas um pouco mais atentamente, e, de fato, sempre achava algo mais e mais desprezível para comentar. Os assuntos vinham como uma bomba, temáticas diversas, religião, política, música, humanismo... Mas não era o suficiente. Não tinha argumentos meus o suficiente para botar a boca no trombone.

É claro que também irei dar uma reclamadinha (já disse que sou um rapaz latino-americano que também sabe se lamentar?) das coisas. A igreja Assembleia de Deus declarou guerra contra a Igreja Universal do Reino de Deus. Se não fossem pelos civis, sugeriria uma guerra armada (podiam todos maravilhosamente explodirem-se), mas não é nada oficial. É apenas a respeito de uns comentários (mais) polêmicos (do que mamilos), feitos pelo Bispo Edir Macedo. Macedo diz que uma certa cantora gospel lá (não me peçam o nome) não é iluminada por Deus, mas sim, pelo Diabo. Óbvio que isso atingiu o coração da congregação na qual a menina participa, deixou todo mundo pê da cara e armou uma gigantesca discussão com o tal Silas Malafaia.

O mais engraçado? disso tudo é que nenhum dos dois é lá muito santo. Malafaia, ditador, repressor, abertamente contra direitos a homossexuais (como se Deus fosse querer que um ser humano fosse menos feliz que outro, pense só), e Macedo, bom, não preciso falar nada. Ou seja, são praticamente dois demôniozinhos se espinhando com seus pequenos chifres. E os fieis a ponto de se matarem na rua. Bem, Macedo foi um pouco mais longe que eu esperava. Sua mais recente declaração foi... Hrn... Constrangedora? Hilária? Enfim, foi algo divino com certeza.

Como minha opinião já está claramente evidenciada no texto (e, se não está, fiquem sabendo que sou ateu), vou trocar de assunto e voltar a falar dos críticos. Continuei procurando e, para minha surpresa, algo atraiu a minha atenção - positivamente. Sim, senhores, hoje será um dia de louvor! Finalmente irei fazer uma crítica boa a alguma coisa neste blog! (milhares de gloria in excelsis deo são ouvidos ao fundo)

A história é a seguinte.

Sou um leitor fanático. Hábito estranho, pois até onde sei, não é muito difundido na minha família. Desde muito pequeno, o irreal e o fantástico sempre me inspiraram e interessaram. Então, comecei a ler (admito que meu primeiro livro foi um clássico da literatura chamado Pão Quente e Cenouras Frescas) e pouco depois viajava pelos mundos de Harry Potter e Crestomanci. Cresci um pouco e logo John Ronald Reuel Tolkien virou meu autor favorito, com centenas de releituras e interpretações diferentes da Terra Média. Logo em seguida, passei para Bernard Corwell, que me levou até o próximo estágio.

Cresci mais, e comecei a ler filosofia e sociologia - Nietzsche, Dostoiévski, Trotsky, Marx, Orwell, Huxley - e alguns outros nomes difíceis e cults que não me vêm à memória. Atualmente, voltei um pouco à fantasia e ao mundo dos sonhos, lendo febrilmente George Martin e Anne Rice.

Fiz todo esse flashback por minha própria vida cultural para deixar claro a vocês que literatura nacional nunca me interessou. Até recentemente, Machado de Assis era uma decepção para mim, e exceto por Augusto dos Anjos e talvez alguns outros poetas, não existiam muitos autores nacionais realmente bons. Agora penso levemente diferente, mas com relação ao gênero fantástico, ainda pensava que o Brasil era meio parado.

Entretanto, há alguns dias, me senti compelido a comprar um livro diferente. Alguma coisa interessante, mas que eu não tivesse lido ainda. Bem, meu olho caiu em A Batalha do Apocalipse e logo depois no autor dele - um tal Eduardo Spohr. Imediatamente pensei que fosse brasileiro, e o preconceito pulou na minha frente: "Livros brasileiros são, essencialmente, ruins". A vendedora da loja apareceu e fez um marketing absurdo do produto, falando super bem - mais ou menos como vendedores fazem. Mas, quando eu disse que definitivamente não estava interessado, ela se provou ser culta no quesito de livros - algo um pouco mais raro. Enfim, o fato é que eu comprei o A Batalha do Apocalipse, à espera de um milagre.

E que surpresa.

Envolvente, bem-trabalhado, com uma genialidade à lá (pensava eu) autores internacionais, Spohr conseguiu me prender ao livro do início ao fim. As tramas são meio batidas e clichês, mas estão escritas de uma forma mais envolvente do que a da própria Joane Rowling (de quem não gosto muito, mas, enfim). Não tenho sequer como descrever o livro, só como dar um "thumbs up" - ele fez um crítico preconceituoso e quase extremista gostar muito do livro dele (e até comprar mais um - Filhos do Éden).

Enfim, sr. "tal Eduardo Spohr", o sr. consta na minha lista de autores impressionantes e recomendados - e também uma menção honrosa neste blog meio decadente.

Fica a dica: Site do autor e site do livro, que inclusive contém a sinopse e o primeiro capítulo. Recomendadíssimo!

Por hoje é só, meus poucos leitores - poucos, mas sei que são assíduos (obrigado! obrigado!). Desculpem-me por essa fanfarronice de falar tanto sobre minha vida pessoal, mas, sabem como é... Hoje em dia tem informação demais.

Até mais ver.


2 comentários:

Anônimo disse...

valeu pela recomendação do livro do eduardo, eu li e tmb gostei muito!!

Shiro disse...

A Batalha do Apocalipse é genial, não é? Realmente prende bastante.