quarta-feira, 13 de março de 2013

Complementação - Argumentando com teorias

Olá, boa tarde.

O tópico de ontem foi uma espécie de "guia" sobre como argumentar com alguma qualidade em situações do cotidiano. Argumentações simples, nada muito elaborado, até porque eu não tenho conhecimento de algo mais profundo e específico em relação a isso.

Porém, eu não mencionei um caso especial que é muito usado em argumentações, especialmente naquelas mais "fora-da-casinha": A existência de Deus, a viagem do Homem à Lua, etc. Para esses temas, não podemos utilizar de provas concretas, pois além de não termos acesso à fontes, de fato, materiais para provar, são temas cujas próprias provas estarão em voga no meio de uma discussão. Pensando nisso, resolvi fazer uma espécie de complemento do texto de ontem, onde você pode utilizar de uma apresentação "desmunida" de provas. Entre aspas - porque não é exatamente isso.

Nem tudo o que falamos temos propriedade para dar certeza absoluta. Na verdade, se formos fazer uma análise fria, muito pouco do que discutimos - exceto se você se ater apenas a futebol - está dentro do nosso conhecimento factual. Nem mesmo coisas "óbvias", como, sei lá, a culpa do casal Nardoni no assassinato da filha, está dentro do patamar de discussão - nenhum de nós VIU o fato, de modo que nenhum de nós pode dar uma certeza cabal e inexpugnável.

A proposta mais profunda da argumentação é, de fato, trocar teorias, e de maneira rústica podemos dizer que "o dono da teoria melhor apresentada é o vencedor da discussão". Com efeito, exceto se a discussão for pontual - aquelas que existe determinada coisa LÍQUIDA E CERTA - a argumentação não passa de teoria. Evidentemente, essas teorias são completamente embasadas.

Para você criar uma teoria, isto é, para expôr um ponto qualquer, é necessário existir alguma coisa que te faça pensar dessa maneira - e não, sua "opinião própria" ou similares não conta. Algo palpável, que você possa - e vá - usar para defender seu pensamento. Em direito, chamamos esse tipo de teoria de fumus boni juris (e dane-se a tradução literal, que é horrível), e isso seria o "indício de bom direito", ou seja, algo que dê-lhe a ideia de ter razão. Um argumento por trás do argumento, por assim dizer.

Dando um exemplo prático: Antes acreditava-se que os átomos eram esferas maciças, indivisíveis. Não por acaso. Haviam indícios disso, alguns bastante claros, como por exemplo o fato da sua mão não atravessar um pedaço de madeira ao bater nele com força. Isso dava a ideia que era impossível atravessar um objeto sólido sem quebrá-lo - e quebrando-o você estaria quebrando a cadeia de átomos e não o átomo em si. Apesar de bastante boa para 1800, essa argumentação é, como sabemos, errônea. Depois de um tempo, Rutherford provou cabalmente que essa teoria originalmente atribuída a Dalton estava incorreta.

Aí está: O argumento de Dalton, visto por esse ângulo, era um fumus boni juris. O de Rutherford foi uma prova líquida e certa. A prova definitiva, por óbvio, vence o indício.

Então, essa era a alegoria que gostaria de usar no texto: Caso ambas as partes tenham apenas teorias, o que, conforme supra, é comum, pesquise bem sua "fumaça". Se a sua explicação for melhor que a do interlocutor, a discussão penderá para o seu lado. E, de regra geral, é isso que define alguém que argumenta bem de alguém que apenas fala.

O texto de ontem ainda "vale", só gostaria de salientar esse ponto específico.


Como sempre, muito obrigado pela paciência, e uma excelente tarde.

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